Quanto custa amortizar antecipadamente o crédito habitação em 2026?
Em 2026 voltou a aplicar-se a regra geral das comissões de reembolso antecipado. O Banco de Portugal indica que a comissão máxima pode chegar a 0,5% do capital reembolsado nos contratos em período de taxa variável e a 2% nos contratos em período de taxa fixa. Estes são limites máximos: se o teu contrato prevê uma comissão inferior ou isenção, prevalece essa condição.
Antes de amortizar, confirme ainda se existe algum regime específico de bonificação dos juros do crédito à habitação.
| Situação em 2026 | Comissão máxima | Exemplo sobre 10.000 € |
|---|---|---|
| Taxa variável | 0,5% | 50 € |
| Taxa fixa | 2% | 200 € |
| Contrato com comissão inferior/isenta | Vale o contrato | Depende das condições contratadas |
A isenção excecional aplicável a determinados créditos de habitação própria permanente com taxa variável terminou em 31 de dezembro de 2025. Por isso, artigos que ainda indiquem “0% de comissão” podem estar desatualizados para 2026.
O que é a amortização antecipada do crédito habitação?

A amortização antecipada — também chamada reembolso antecipado — é o pagamento de uma parte ou da totalidade do capital do empréstimo antes da data prevista no contrato. Ao reduzir o capital em dívida, os juros futuros passam a incidir sobre um montante menor.
O direito ao reembolso antecipado está previsto no regime dos contratos de crédito relativos a imóveis. Não depende de esperar pelo aniversário da escritura e, no reembolso parcial, não existe um montante mínimo legal de capital a amortizar.
Se ainda estás a rever as bases do teu empréstimo, consulta também a nossa guia sobre taxa de juro no crédito habitação, porque a taxa contratada é um dos fatores que mais influencia a poupança potencial de uma amortização.
Se a amortização está ligada à preparação de uma nova compra, vê também as regras do crédito para segunda habitação.
Amortização parcial ou total: qual é a diferença?
| Amortização parcial | Amortização total | |
|---|---|---|
| O que acontece | Abates uma parte do capital | Liquidas todo o capital em dívida |
| Pré-aviso mínimo | 7 dias úteis | 10 dias úteis |
| Momento | Coincide com a data da prestação | Pode ser feita antes do fim do contrato |
| Efeito típico | Prestação mensal mais baixa | Extinção do empréstimo |
| Documento final | Não extingue a hipoteca | Banco emite declaração/distrate |
No reembolso total, a instituição dispõe de 14 dias úteis para emitir e entregar a declaração que comprova a extinção da dívida. Esta situação surge, por exemplo, quando vendes o imóvel ou transferes o empréstimo para outro banco.
Comissão de reembolso antecipado no crédito habitação em 2026
Em 2026, a suspensão extraordinária da comissão para determinados contratos de habitação própria permanente em período de taxa variável já terminou. No regime geral, a comissão máxima é de 0,5% do capital reembolsado em período de taxa variável e de 2% em período de taxa fixa, salvo comissão inferior ou isenção prevista no contrato ou na lei.

O custo central é a comissão de reembolso antecipado. Em 2026, os limites gerais são 0,5% em taxa variável e 2% em taxa fixa. A instituição pode cobrar menos, ou nada, se isso estiver previsto no contrato.
O Banco de Portugal refere ainda que, além da comissão, a instituição apenas pode exigir determinadas despesas que tenha pago por conta do cliente a conservatórias, cartórios notariais ou administração fiscal. Num reembolso total, acrescem os juros devidos até à data efetiva do reembolso, mas não podem ser cobrados juros futuros relativos ao período posterior.
Existem situações em que o cliente fica isento da comissão, nomeadamente quando o reembolso antecipado decorre de morte, desemprego ou deslocação profissional de um dos titulares, nos termos aplicáveis.
Quanto pode baixar a prestação depois de amortizar?

O impacto depende do capital em dívida, da taxa, do prazo restante e do montante amortizado. Como exemplo meramente matemático, imagina um crédito com 150.000 € em dívida, 25 anos restantes e uma TAN constante de 3,5%.
| Cenário ilustrativo | Capital | Prestação aproximada |
|---|---|---|
| Antes da amortização | 150.000 € | 750,94 €/mês |
| Após amortizar 20.000 € | 130.000 € | 650,81 €/mês |
| Diferença | −20.000 € | −100,12 €/mês |
Este exemplo assume prestações constantes, taxa inalterada e manutenção do prazo. Não inclui seguros, comissões nem futuras alterações da taxa. Serve para perceber a mecânica, não para prever a prestação de um contrato concreto.
É melhor reduzir a prestação ou o prazo?
Por regra, uma amortização parcial reduz a prestação mensal. Se pretendes manter uma prestação semelhante e usar a amortização para terminar o crédito mais cedo, tens de pedir ao banco uma alteração do prazo. O Banco de Portugal enquadra essa alteração como uma renegociação do contrato, pelo que depende de acordo entre cliente e instituição.
- Reduzir a prestação aumenta a folga mensal e pode melhorar a taxa de esforço.
- Reduzir o prazo pode cortar mais juros futuros, porque há menos meses de financiamento, mas exige acordo do banco sobre a alteração contratual.
- Amortizar totalmente elimina a dívida, mas consome mais liquidez e pode implicar custos de formalização/cancelamento associados.
Se estás ainda a organizar toda a operação de financiamento, a nossa guia de crédito habitação passo a passo ajuda a situar amortização, renegociação e comparação dentro do ciclo do empréstimo.
Simulador de amortização antecipada: que dados precisa?
Uma simulação útil deve partir do capital em dívida, do montante que pretende amortizar, da taxa e do prazo restante. A comissão é apenas uma parte da decisão: o objetivo é perceber quanto capital desaparece, como muda a prestação e quanto juro futuro pode deixar de pagar.
| Montante amortizado | Comissão máxima em taxa variável (0,5%) | Comissão máxima em taxa fixa (2%) |
|---|---|---|
| 5.000 € | 25 € | 100 € |
| 10.000 € | 50 € | 200 € |
| 20.000 € | 100 € | 400 € |
| 50.000 € | 250 € | 1.000 € |
Estes valores mostram apenas a comissão máxima geral. O Portal do Cliente Bancário lembra que o contrato pode prever uma comissão inferior ou uma isenção aplicável. Para decidir se compensa, compare a comissão com os juros que deixará de pagar e preserve uma reserva de liquidez para imprevistos.
Se o objetivo for perceber primeiro quanto do rendimento já está comprometido com créditos, consulte também a nossa guia sobre taxa de esforço no crédito habitação.
Quando pode compensar amortizar o crédito habitação?
Não existe uma resposta universal. Em termos financeiros, amortizar oferece um “retorno” equivalente à parte dos juros e encargos futuros que deixas de pagar, ajustado pela comissão e por eventuais custos. Mas o dinheiro usado na amortização deixa de estar disponível para emergências ou outros objetivos.
- A taxa do teu crédito é elevada: quanto maior o custo da dívida, maior tende a ser o valor económico de reduzir capital.
- Ainda faltam muitos anos: há mais tempo para a redução de capital evitar juros futuros.
- Tens fundo de emergência: amortizar sem reserva pode obrigar-te a recorrer depois a crédito mais caro.
- Não tens dívidas mais caras: cartão de crédito ou crédito pessoal podem ter prioridade quando o custo é substancialmente superior.
- A comissão é pequena face à poupança: compara o custo imediato com os juros evitados ao longo do tempo.
Para jovens que acabaram de comprar casa com uma percentagem de financiamento elevada, amortizar mais tarde pode reduzir o capital em dívida, mas não deve ser confundido com o regime inicial de crédito habitação jovem com financiamento até 100%.
Como fazer uma amortização antecipada passo a passo

- Confirma o capital em dívida e a modalidade de taxa em vigor.
- Revê o contrato para identificar a comissão contratada e eventuais condições mais favoráveis que o máximo legal.
- Pede ao banco uma simulação do impacto. Após receber o pedido, a instituição deve informar-te sobre o efeito do reembolso e os pressupostos utilizados.
- Respeita o pré-aviso: pelo menos 7 dias úteis no reembolso parcial e 10 dias úteis no total.
- No parcial, coordena com a data da prestação.
- Confirma o novo plano e verifica a prestação depois da operação.
- Se queres reduzir prazo, pede expressamente a renegociação.
- No reembolso total, trata do distrate/cancelamento da hipoteca e confirma os custos externos aplicáveis.
Antes de decidir, vale a pena separar três objetivos que muitas vezes são confundidos: baixar a prestação mensal, reduzir o total de juros futuros e diminuir o risco financeiro do agregado. Uma amortização pode ajudar nos três, mas não necessariamente com a mesma intensidade. Se o objetivo principal é libertar orçamento todos os meses, a redução da prestação pode ser a prioridade. Se existe folga mensal e o objetivo é terminar o crédito mais cedo, pode fazer sentido discutir com o banco uma alteração do prazo. E se a prioridade é manter flexibilidade, pode ser preferível conservar parte da poupança disponível em vez de a imobilizar toda no empréstimo.
Também convém comparar a amortização com o custo de oportunidade do dinheiro. Um montante usado para reduzir dívida deixa de estar disponível para uma emergência, uma mudança de casa, obras inesperadas ou outra necessidade. Por isso, a pergunta não deve ser apenas “quanto poupo em juros?”, mas também “quanto capital continuo a ter acessível depois de amortizar?”. Uma decisão equilibrada costuma considerar simultaneamente a taxa do crédito, o prazo restante, a comissão aplicável, a estabilidade dos rendimentos e a dimensão da reserva financeira que ficará disponível.
Quando pedires uma simulação ao banco, solicita os valores por escrito antes de executar a operação. É útil comparar o capital em dívida antes e depois da amortização, a nova prestação, o plano de reembolso atualizado e o custo total estimado até ao final do contrato. Se pretenderes reduzir o prazo, confirma se essa alteração é tratada como renegociação e se existe algum procedimento ou custo adicional. Desta forma evitas tomar uma decisão com base apenas numa redução imediata da prestação sem perceber o efeito completo ao longo do empréstimo.
- Reserva de emergência: não uses automaticamente toda a poupança disponível para amortizar.
- Horizonte do crédito: quanto mais tempo faltar, maior pode ser a relevância dos juros futuros, mas o resultado depende da taxa e do plano de reembolso.
- Objetivo financeiro: decide se queres sobretudo baixar prestação, encurtar prazo ou reduzir risco.
- Liquidez: mantém margem para despesas imprevistas e projetos de curto prazo.
- Simulação escrita: compara o plano atual com o plano depois da amortização antes de dar a ordem.
Se tens mais do que um crédito, a análise deve ser feita em conjunto. Pode existir uma dívida com custo superior, prazo mais curto ou maior impacto no orçamento mensal. Amortizar o crédito habitação por ser a dívida de maior valor nem sempre é a utilização mais eficiente do capital. Organiza todas as responsabilidades, compara taxas e custos e avalia qual redução de dívida melhora mais a situação financeira global.
Por fim, evita decidir apenas porque “os juros estão altos” ou porque alguém próximo amortizou. Duas famílias com o mesmo capital em dívida podem chegar a conclusões diferentes devido ao prazo, tipo de taxa, rendimento, poupança e projetos futuros. A amortização antecipada é uma ferramenta de gestão financeira; funciona melhor quando está ligada a um objetivo concreto e quando a decisão é tomada com números atualizados do próprio contrato.
7 erros ao amortizar antecipadamente
- Usar toda a poupança. Reduz dívida, mas pode deixar o orçamento sem margem para imprevistos.
- Aplicar regras de 2025 em 2026. A isenção excecional de 0,5% em taxa variável terminou no fim de 2025.
- Assumir que a comissão é sempre o máximo legal. O contrato pode prever menos.
- Confundir amortizar capital com reduzir prazo. A redução do prazo exige acordo do banco.
- Ignorar outras dívidas mais caras. Pode haver prioridades financeiras melhores.
- Não pedir o impacto por escrito/suporte duradouro. O banco deve explicar o efeito do reembolso.
- Olhar apenas para a nova prestação. Considera também juros futuros, liquidez, prazo e custo da operação.
Se estiver a ponderar amortizar porque encontrou condições melhores noutro banco, compare também a alternativa de transferir o crédito habitação. A decisão deve considerar a comissão aplicável, custos suportados pelo novo banco, TAEG, MTIC, seguros e a poupança líquida ao longo do prazo restante.
Quando o reembolso total resulta de uma mudança de banco, vê também como analisar uma transferência de crédito habitação gratuita e os custos que podem continuar a existir.
A modalidade de taxa também influencia a decisão de amortizar. Consulte a comparação entre taxa fixa e variável no crédito habitação antes de alterar a estratégia.
Perguntas frequentes sobre amortização antecipada do crédito habitação
Respostas rápidas com as regras gerais aplicáveis em Portugal em 2026.
Quanto custa amortizar antecipadamente o crédito habitação em 2026?
Em 2026, a comissão máxima é de 0,5% do capital reembolsado quando o contrato está em período de taxa variável e de 2% quando está em período de taxa fixa, salvo se o contrato prever uma comissão inferior ou isenção. Existem ainda exceções legais em situações como morte, desemprego ou deslocação profissional de um dos titulares.
Posso amortizar qualquer valor do crédito habitação?
Sim. O reembolso antecipado parcial pode ser feito independentemente do montante de capital a reembolsar. Deve coincidir com a data de vencimento da prestação e ser comunicado ao banco com pelo menos sete dias úteis de antecedência.
Amortizar reduz a prestação ou o prazo?
Por regra, uma amortização parcial reduz o capital em dívida e, mantendo-se as restantes condições, reduz a prestação mensal. Para transformar a amortização numa redução do prazo é necessário pedir uma alteração do prazo ao banco, o que constitui uma renegociação e depende de acordo entre as partes.
Quanto tempo antes tenho de avisar o banco?
Para uma amortização parcial, o pré-aviso mínimo é de sete dias úteis. Para um reembolso antecipado total, o pré-aviso mínimo é de dez dias úteis.
Vale a pena amortizar o crédito habitação?
Pode compensar quando a redução de juros e de risco financeiro é superior ao custo da operação e quando a amortização não deixa o agregado sem uma reserva de emergência adequada. A decisão depende da taxa do crédito, do prazo restante, da comissão aplicável e das alternativas para esse dinheiro.
Outro ponto útil é escolher a data da decisão com informação atualizada. Se a taxa do contrato vai ser revista em breve, pede ao banco uma simulação com os dados mais recentes antes de comparar o efeito da amortização. O mesmo se aplica quando estás a ponderar vender a casa ou transferir o crédito: uma amortização feita pouco antes de outra operação pode alterar o capital necessário, mas também reduzir liquidez que poderia ser importante para custos da mudança. Quando existem vários objetivos próximos no tempo, organiza-os por prioridade e simula o impacto conjunto.
Guarda ainda o comprovativo da operação e o novo plano de pagamentos. Depois de uma amortização parcial, verifica se o capital em dívida, a prestação e a data de vencimento seguinte correspondem ao que foi acordado. Esta conferência simples ajuda a detetar rapidamente qualquer diferença e deixa um histórico claro para futuras amortizações, renegociações ou eventual venda do imóvel.
Se estiveres a comparar amortizar hoje com poupar durante mais alguns meses, não precisas de escolher de forma binária. É possível definir um montante mínimo de reserva, continuar a reforçá-la e fazer amortizações periódicas quando a liquidez ultrapassa esse objetivo. Esta abordagem evita concentrar toda a decisão num único momento e permite adaptar o ritmo de redução da dívida à evolução real dos rendimentos e despesas.
Se recebes rendimentos irregulares, uma estratégia possível é separar a decisão da prestação mensal: define uma reserva mínima e utiliza apenas excedentes que não sejam necessários para meses mais fracos. Assim, a amortização não aumenta o risco de falta de liquidez. Para quem recebe prémios, comissões ou rendimentos sazonais, esta abordagem pode ser mais prudente do que comprometer um montante elevado numa única operação.
Antes de amortizar totalmente, confirma ainda todos os passos administrativos associados ao encerramento do crédito e à garantia do imóvel. O reembolso do capital é uma parte da operação; podem existir procedimentos posteriores para obter documentação de quitação e tratar do cancelamento da garantia quando aplicável. Planeia esses passos sobretudo se a amortização total estiver ligada à venda da casa.
Uma última verificação útil é comparar a amortização com uma eventual renegociação do crédito. Se o custo atual estiver elevado por causa de condições contratuais pouco competitivas, reduzir capital e renegociar não são decisões mutuamente exclusivas. Pede primeiro uma fotografia atualizada do contrato e avalia qual combinação melhora mais a prestação, o custo total e a flexibilidade sem comprometer a tua reserva.
Confirma por fim que a amortização é registada na data prevista e que o banco entrega informação atualizada sobre o capital remanescente. Essa verificação fecha o processo e evita dúvidas futuras sobre o valor efetivamente abatido.




